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O saber não ocupa lugar. A ignorância também não, mas dá má fama.

Curiosidades (ao calhas) sobre a Tabela Periódica

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Se queres saber algumas curiosidades sobre a Tabela Periódica em si e sobre os elementos químicos que a compõem, chegaste ao sítio certo. Se não queres saber, aproveita e aprende alguma coisa. Pode-te vir a ser útil no futuro! Nem que seja para impressionar alguém. Que é como vais ficar agora.
  • A grande diferença entre a tabela criada por Mendeleev e a actual, reside no facto de que na primeira os elementos se encontravam dispostos segundo o seu peso atómico, ao passo que na segunda, os elementos são dispostos consoante o seu número atómico. 
  • Existem 98 elementos químicos que ocorrem naturalmente. Se bem que 7 destes apenas ocorrem naturalmente em condições muito específicas. Os restantes 20 são produzidos artificialmente em laboratório. 
  • Existem um total de 38 elementos radioactivos. O que significa que os isótopos naturais destes elementos não são estáveis, o mesmo para os elementos artificiais que nunca o são. Se não são estáveis vão-se "transformar" em estáveis passando a ser outros elementos químicos. Chama-se a isto decaimento radioactivo.
  • A maioria dos elementos químicos são considerados metais, distribuídos em vários grupos: metais alcalinos (grupo 1, exceptuando o hidrogénio (H)), metais alcalino-terrosos (grupo 2), metais de transição (os grupos "interiores da tabela periódica", 3 a 12), lantanídeos (elementos do lantânio (La) ao lutécio (Lu)) e actinídeos (elementos do actínio (Ac) ao laurêncio (Lr)). 
  • Metalóides são elementos químicos que partilham características comuns a metais e a não metais. São exemplos o boro (B), o silício (Si), o germânio (Ge), o arsénio (As), o antimónio (Sb) e o telúrio (Te). Menos comummente são também considerados metalóides o carbono (C), o alumínio (Al), o selénio (Se), o polónio (Po) e o ástato (At). 
  • Existem vários elementos químicos cujo nome é dado a partir de personalidades conhecidas. São exemplos o ensténio (Es), o nobélio (No), o bório (Bh) ou o copernício (Cn). Atribuídos pela importância de nomes como Albert Einstein, Alfred Nobel, Niels Bohr e de Nicolau Copérnico para a ciência.

Figura: Foi no Reino Unido que se descobriu, pela primeira vez, a maioria dos elementos químicos. Seguido dos Estados Unidos e da Suécia. 

  • A única letra do abecedário que não aparece na Tabela Periódica é a letra J. Sim, podes ir já confirmar, porque é verdade! 
  • O tecnécio (Tc) foi o primeiro elemento a ser produzido artificialmente. Só mais tarde se veio a descobrir a sua ocorrência de forma natural. 
  • O carbono (C) forma mais de 10 milhões de compostos químicos com outros elementos. Por isso é que é tão importante para a vida, por exemplo. 
  • O frâncio (Fr) é o elemento mais raro, mais reactivo e o elemento natural mais caro. Sim, é um mix explosivo. Literalmente.
  • O hidrogénio (H) é o elemento mais abundante do universo, seguido (a larga distância) pelo hélio (He). 
  • O hélio (He), apesar de ocorrer na Terra, foi primeiro descoberto ao se observar o sol.
  • O urânio (U) foi o primeiro elemento radioactivo a ser identificado. 
  • O elemento mais radioactivo não é o urânio (U), como habitualmente se pensa, mas sim o plutónio (Pt). 
  • O tálio (Th) é o elemento mais tóxico. 
  • O elemento mais denso é o ósmio (Os), seguido do irídio (Ir), que justos formam uma liga metálica super-densa: o osmíredeo. Ou iridósmio. São ambos cerca de duas vezes mais densos que o chumbo!
  • O elemento menos denso é o hidrogénio (H). Já o metal menos denso é o lítio (Li). 
  • O maior ponto de fusão é o do carbono (C). Quanto a metais é o do tungsténio (W). 
  • Já o menor ponto de fusão é o do hélio (He), que é 0K. De entre os metais, é o do mercúrio (Hg).
  • À temperatura ambiente (20ºC) são gases o hidrogénio (H), o hélio (He), o nitrogénio - aka azoto, para aqueles que ainda vivem no século passado - (N), o néon (Ne), o cloro (Cl), o árgon (Ar), o krípton (Kr), o xénon (Xe) e o rádon (Rn). He, Ne, Ar, Kr, Xe e Rn são todos gases nobres - não reagem com nada nem ninguém. 
  • O mercúrio é o único metal que à temperatura ambiente é líquido. O outro elemento com esta característica é o bromo (Br). 
  • O primeiro elemento químico a passar do estado sólido ao estado líquido, com a subida da temperatura ambiente, é o gálio (Ga). 

Se queres saber mais sobre os elementos, aconselho a visita à seguinte página: http://www.ptable.com.


Tabela Periódica, essa excelente fonte de conhecimento!


Conta-me tudo, Tabela Periódica...

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Para perceber a Tabela Periódica é preciso saber lê-la. Para além de saber como se encontram os elementos químicos organizados, convém saber que informação se pode obter para um dado elemento. E é isso que vai ser aqui exposto de seguida.


Existem várias informações que se podem obter a partir da análise de uma Tabela Periódica, para cada elemento, sendo que duas tabelas periódicas podem não conter a mesma informação - depende sempre da informação que o organizador/entidade organizadora queira transmitir - o padrão vem da IUPAC, a entidade que tutela as alterações da Tabela Periódica. As indicações mais importantes e que (quase) sempre aparecem nas tabelas periódicas, são as seguintes:
  • Símbolo químico do elemento - composto por uma letra maiúscula ou por uma letra maiúscula e uma minúscula (H - Hidrogénio; He - Hélio).
  • Nome do elemento
  • Massa atómica relativa - média da massa de todos os isótopos de um elemento.
  • Nº Atómico - número de protões que um elemento tem e que é único para cada elemento.
  • Distribuição electrónica - distribuição dos electrões pelos diferentes níveis de energia.
Figura 1: Informação comum de um elemento químico (Ferro) na Tabela Periódica.

Depois, podem ainda aparecer outras informações, tais como:
  • Electronegatividade - força de atracção de um átomo sobre os electrões de um outro.
  • Ponto de fusão e/ou de ebulição (normalmente em Kelvin - K) - temperatura a que o elemento passa para os estados líquido e gasoso, respectivamente.
  • Raio atómico - distância (aproximada) do núcleo até à última camada electrónica.
  • Configuração electrónica - distribuição dos electrões por níveis de energia.
  • Massa volúmica - quociente da massa pelo volume, define a densidade de um elemento.

Para além das propriedades específicas de cada elemento que se podem obter olhando apenas para o "quadradinho" do elemento na tabela, existem mais propriedades sobre as quais a Tabela Periódica nos informa. Estas podem ser facilmente observadas através de diferentes padrões de cores nos quadrados dos elementos, seus símbolos químicos ou ainda números atómicos. Desta forma, é comum fazerem-se separações consoante:
  • Estado do elemento à temperatura e pressão ambientes - sólido, líquido, gasoso ou obtido sinteticamente

    Classificação:
  • Não metais (Gases nobres - grupo 18, Halogénios - grupo 17, outros não metais - H)
  • Semi-metais (Si ou As)
  • Metais (metais alcalinos - grupo 1, metais alcalino-terrosos - grupo 2, metais de transição - grande parte dos elementos do interior da Tabela Periódica)

Por outro lado, nas Tabelas Periódicas interactivas, aquelas que podem ser encontradas por essa Internet fora, podemos saber TUDO sobre um elemento. Desde todas as suas características à variação de algumas dessas características a diferentes temperaturas, a sua origem e descobrimento, os seus usos e aplicações, os compostos mais comuns... tudo o que se possa imaginar sobre um elemento químico: e que tanta ajuda dá a quem quer (ou precisa de) saber mais!


Para o próximo post, irei trazer umas curiosidades sobre alguns elementos da Tabela Periódica! Dá sempre jeito para impressionar alguém - um nerd, como eu.


PS: Parabéns ao Mendeleev, que se fosse vivo, faria 182 anos na passada segunda-feira (8 de fevereiro)!



Fontes:
http://periodic.lanl.gov/images/periodictable.pdf

Que coisa é essa da Tabela Periódica?

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

A Tabela Periódica, é só, a mais importante referência a nível químico que por aí anda. Nela encontram-se agrupados (de formas que a seguir se revelarão) todos os elementos químicos existentes na natureza (conhecidos) - 118, neste momento. A sua principal função é determinar o comportamento químico de determinado elemento.

Foi Mendeleev (que tem o nome de um elemento químico em sua homenagem: mendelévio (Md)), que em 1869 publicou a primeira Tabela Periódica reconhecida internacionalmente. Ele criou a tabela com a finalidade de agrupar os elementos conhecidos que apresentavam semelhante comportamento químico. Ele conseguiu ainda, prever de forma correcta o comportamento de elementos até então desconhecidos, por os colocar nos grupos dos elementos conhecidos (casos do gálio e do germânio), o que se veio a verificar, aquando da sua descoberta. A tabela de Mendeleev tem sido, desde então, alvo de modificações, com a descoberta e sintetização de novos elementos.

Todos os 118 elementos químicos, que variam do hidrogénio (1) ao unonóctio (118), foram descobertos ou criados sinteticamente, com os elementos 113, 115, 117 e 118 a terem sido confirmados pela IUPAC (a entidade que gere estes assuntos) no final de 2015. Os primeiros 94 elementos (até ao plutónio) ocorrem de forma natural na natureza. Os restantes elementos (do 95 ao 118), foram obtidos através de processos sintécticos em laboratório.

Figura 1: Tabela periódica dos elementos químicos conhecidos.

Os elementos químicos encontram-se dispostos, da esquerda para a direita, com aumento do número atómico - propriedade essencial para a sua disposição na Tabela Periódica - e, consequentemente, da sua massa. Para além desta propriedade, são ainda agrupados pela configuração electrónica e pelas propriedades químicas. Existem duas principais maneiras de agrupar os elementos da Tabela Periódica: em períodos e em grupos.

Sete são os períodos - vistos como linhas. Esta disposição dos elementos em períodos, que vão de 1 a 7 (de cima para baixo, de forma crescente), dá-se devido ao mais alto nível de energia dos electrões desses elementos, no estado normal. 

Por outro lado os elementos encontram-se dispostos em grupos - vistos como colunas, num total de 18 (da esquerda para a direita, de forma crescente). Elementos do mesmo grupo têm configurações de valência electrónica igual e, consequentemente, reagem quimicamente da mesma forma. O que significa que, por exemplo, o lítio (Li) e o potássio (K) reagem da mesma maneira no contacto com a água - de forma explosiva!


Figura 2: Reacção do potássio com a água.

Este é o modo básico da representação da Tabela Periódica. Da próxima já sabes o porquê, quando estiveres a olhar para ela. A Tabela Periódica contém uma enorme quantidade de informação, muitas vezes essencial, para cada elemento. Este conhecimento é importante em muitas áreas, principalmente na química, mas também na geologia, numa das suas áreas mais específicas, a geoquímica.

Se queres saber que propriedades podes inferir da análise da Tabela Periódica, para um determinado elemento, tens que ler o próximo capítulo! Que vai andar por aqui, dentro em pouco tempo. 




Fontes:
http://periodic.lanl.gov/index.shtml
http://www.iupac.org/
http://www.iupac.org/fileadmin/user_upload/news/IUPAC_Periodic_Table-8Jan16.pdf

O anel de fogo do Pacífico

quinta-feira, janeiro 07, 2016

O anel de fogo é uma área que cobre grande parte da zona do oceano Pacífico, na qual ocorrem uma enorme quantidade de sismos e se observam vários vulcões, muitos deles frequentemente activos.


Com uma extensão de 40000km na forma de ferradura, que vai desde a costa chilena à Nova Zelândia, o anel de fogo do Pacífico resulta de uma combinação, muitas vezes catastrófica, de falhas oceânicas, arcos vulcânicos e de movimentos de placas tectónicas - convergentes, divergentes e transformantes.


Figura 1: Extensão do anel de fogo do Pacífico.

Esta extensa área conta com 452 vulcões, com uma quota de mais de 75% dos vulcões activos e adormecidos do planeta Terra. E das últimas 25 grandes erupções, nos últimos 11000 anos, 22 ocorreram no anel de fogo. Para além disso, 90%(!!!!) dos sismos a nível mundial, ocorrem nesta região - mais ou menos 500000 sismos - devido à confluência dos vários limites de placas. Não admira, por isso, que os países desta zona estejam sempre em apuros com catástrofes derivadas deste tipo de episódios.


Todo este"espectáculo" geológico resulta, em primeira instância, da movimentação de placas tectónicas e da sua consequente colisão. Nesta amálgama de choques, choquinhos e chocões estão as seguintes placas: Placa de Nazca, Placa de Cocos, Placa Sul-Americana, Placa das Caraíbas e a Placa Juan de Fuca. Todas estas, interagem, em principal instância com a Placa do Pacífico.

Figura 2: Placas tectónicas e vulcões relacionados com o anel de fogo do Pacífico.

Vários são os países que têm parte, ou mesmo toda a sua área, no anel de fogo do Pacífico:
  • Bolívia, Chile, Equador, Perú, Equador, Galápagos: Região Andina 
  • Costa Rica, Guatemala: América Central 
  • México, EUA, Canadá: Cordilheira norte-americana 
  • Rússia, Japão, Filipinas, Indonésia, Nova Zelândia... 

Estes são os países frequentemente afectados ora por sismos, ora por episódios eruptivos de lava, ora por grandes e devastadores sismos e tsunamis. E tudo por culpa da geologia!

Alguns dos vulcões mais conhecidos nesta zona são os seguintes:
  • Monte Santa Helena, EUA
  • Monte Fuji, Japão
  • Pinatubo, Filipinas
  • Krakatoa, Indonésia
  • Popocatépetl, México

Viver no anel de fogo é um desafio para muitas pessoas. Correr o risco de ficar sem nada com terramotos, tsunamis e lava. Por outro lado, o vulcanismo traz recursos valiosos, como são os casos da actividade geotérmica (aproveitada como fonte de calor e de energia) e os férteis campos de cultivo. É por isto que a comunidade científica e os estados em maior perigo de catástrofes naturais estão a investir na detecção e prevenção. É este o caminho, porque contra a natureza pouco se pode fazer.


E já agora, bom ano para todos! Que coleccionem muitos e belos "pedregulhos"!


Fontes:
http://www.crystalinks.com/rof.html
http://education.nationalgeographic.org/encyclopedia/ring-fire/
http://www.universetoday.com/59341/pacific-ring-of-fire/
http://earthsky.org/earth/what-is-the-ring-of-fire

Escala de Mohs - para quem gosta de mandar riscos... em minerais

quinta-feira, dezembro 17, 2015

Não, mandar riscos em minerais e rochas não nos dá uma euforia estonteante. Dá-nos conhecimento. Neste caso, conhecimento sobre a dureza (relativa) dos minerais. A qual é uma importante característica, pois é um dos principais passos na sua identificação. A dureza de um mineral, entre várias outras características, dita o seu uso no nosso dia-a-dia.

A dureza pode ser definida como a capacidade de resistência de um mineral face à retirada de partículas da sua superfície, ou seja, a resistência a ser riscado: um mineral mais duro, risca sempre um mineral menos duro, deixando um risco no último. Esta técnica usada para se saber a dureza relativa dos minerais, tem vindo a ser utilizada já desde a antiga Grécia.

A escala de Mohs, nasce em 1812 e é composta por 10 minerais essenciais, com durezas relativas arbitrariamente escolhidas, definidas de 1- o menos duro - a 10 - o mais duro (ver lista abaixo). Apesar de muito básica e de baixa precisão, o uso da escala de Mohs facilita, e muito, a identificação de um mineral, principalmente no campo. Para além dos minerais definidos nesta escala, sabe-se também a dureza de outros materiais como lâminas de canivete, cobre e a própria unha, o que também ajuda na identificação da dureza relativa de um dado mineral.

Todos os minerais que compõe a escala de Mohs podem ser encontrados com relativa facilidade na crusta terrestre (sendo o diamante o mais raro e caro para se obter!). São eles (da menor para a maior dureza):

1 - Talco
2 - Gesso
3 - Calcite
4 - Fluorite
5 - Apatite
6 - Feldspato potássico
7 - Quartzo
8 - Topázio
9 - Corindo
10 - Diamante


Figura 1: Escala de Mohs, com minerais e alguns objectos comuns, para identificação da dureza relativa. 
Mohs Scale
Figura 2: Apresentação habitual da escala de Mohs.

A dureza relativa de um mineral (ou material) é medida em relação aos minerais da escala, através da sua capacidade de riscar um determinado mineral e de ser riscado por outro. Confuso? Talvez. Mas atente-se nos casos que podem acontecer:
  1. O mineral A risca o mineral B: o mineral A é mais duro que o mineral B
  2. O mineral A não risca o mineral B: o mineral B é mais duro que o mineral A
  3. Se os minerais têm a mesma dureza, serão ineficientes na produção de riscos um no outro. No entanto, podem, por vezes, surgir pequenos riscos
  4. O mineral A é riscado pelo mineral B, mas não pelo mineral C: a dureza do mineral A situa-se entre a do mineral C (menos duro) e do mineral B (mais duro)
Figura 3: Procedimento para a identificação da dureza relativa.

Exemplo 1: O mineral X risca a apatite (e consequentemente, talco, gesso, calcite e fluorite), mas não risca o feldspato potássico. Isto diz-nos que o mineral X tem uma dureza relativa de 5,5.

Exemplo 2: O mineral Y é riscado pela unha - que tem uma dureza relativa de 2,5 - mas não é riscado pelo gesso. O mineral Y tem uma dureza relativa entre 2 e 2,5.


Este método é essencial na rápida e fácil identificação de minerais. O seu procedimento requer algum treino e saber, mas acaba por ser intuitivo e divertido.


Espero que agora tenhas vontade de mandar uns riscos... mas só nos minerais!




Fontes:
http://www.minsocam.org/MSA/collectors_corner/article/mohs.htm
http://www.britannica.com/science/Mohs-hardness
http://geology.com/minerals/mohs-hardness-scale.shtml


Minas da Panasqueira

quinta-feira, agosto 20, 2015

Situada nos concelhos da Covilhã e Fundão, em Castelo Branco, as minas da Panasqueira representam um dos mais importantes (senão, o mais importante) pontos mineiros em Portugal e arredores. E em termos da exploração de volfrâmio, é mesmo uma das maiores do mundo. Opera desde os finais do século XIX, com a extracção de volframite (Fe, Mn)WO4, cassiterite (SnO2) e calcopirite (CuFeS2), usados para se obterem concentrados de tungsténio (W), estanho (Sn) e cobre (Cu).

Atenção: volfrâmio e tungsténio são diferentes nomes para o mesmo elemento. O primeiro mais antigo, de onde vem o seu símbolo químico, e o segundo mais recente (e mais aceite pela comunidade).

Foi durante a segunda grande guerra que as minas da Panasqueira mais produziram. Isto porque o tungsténio era (e é) essencial para se formarem ligas metálicas, posteriormente utilizadas na produção de armamento. (Ou seja, quem diz que Portugal não entrou na segunda grande guerra não está totalmente certo: nós andávamos a vender a alma ao diabo, que é como quem diz, tungsténio para eles se matarem uns aos outros.) Para além disto, o tungsténio é (cada vez menos, ainda bem!) utilizado nos filamentos das lâmpadas incandescentes e para a produção de ligas metálicas que tenham que aguentar altas temperaturas, como no caso dos foguetões (NASA, anda cá ver isto!).

Os minérios extraídos encontram-se em filões de quartzo, maioritariamente sub-horizontais, que se encontram encaixados nos Xistos das Beiras, do Complexo Xisto-Grauváquico. Existem ainda alguns corpos graníticos não aflorantes.

Figura 1: Filão sub-horizontal de quartzo com mineralizações de tungsténio, estanho e cobre.
Actualmente, as minas da Panasqueira produzem 3800 toneladas de minério, a uma profundidade que já atinge os 400m, por entre mais de 3000km de túneis, seguindo o método de câmaras e pilares, onde são deixados pilares de rocha (inexplorados) para aguentarem as câmaras onde se situam. Estes pilares vão sendo explorados até que a estabilidade da câmara não seja posta em causa.

Figura 2: Método de exploração através de câmaras e pilares.

No processo de exploração e tratamento os minérios são carregados para poços de descarga, com a sua saída num piso de rolagem. Aqui, são recolhidos por vagonetas e conduzidos a um silo, onde com a ajuda de um elavador, são levados para uma câmara de fragmentação. De seguida, o minério é conduzido para a superfície, através de uma rampa. Chegado à lavaria, os minérios são separados e tratados, estando os seus concentrados prontos a serem vendidos.




Fontes:
http://www.portugalindustry.com/pt/companies/company/sojitz-beralt-24.html
http://home.uevora.pt/~pmn/min/PAN002.htm
http://routesofwolfram.eu/pt/patrimonio-industrial/panasqueira.html
http://www.cienciaviva.pt/veraocv/2010/downloads/Minas%20da%20Panasqueira.pdf

A composição (química) da crusta

quinta-feira, junho 11, 2015

A crusta é uma das partes que constitui o interior da Terra e é a camada mais externa nesta divisão do nosso planeta. Este pedaço rochoso tem na sua composição uma meia-dúzia (passe a redundância, o número anda lá perto) de importantes elementos químicos, que entram nas estruturas dos minerais e estes últimos na composição das diferentes rochas que formam tanto a crusta continental, como a crusta oceânica. Estes elementos químicos perfazem cerca de 98 a 99% de todos os elementos químicos encontrados na crusta.

Figura 1: Representação esquemática da crusta terrestre

Os oito elementos mais comuns e as suas percentagens de ocorrência na crusta são os seguintes:

Oxigénio (O) - 46,6%
Silício (Si) - 27,7%
Alumínio (Al) - 8,1%
Ferro (Fe) - 5,0%
Cálcio (Ca) - 3,6%
Potássio (K) - 2,8%
Sódio (Na) - 2,6%
Magnésio (Mg) - 2,1%
Figura 2: Composição química da crusta terrestre

Com estes resultados não é de admirar que grande parte dos minerais existentes na crusta tenham na sua composição estes elementos. Aliás, o grupo de minerais mais comum são os silicatos, que têm na sua composição oxigénio e silício (SiO2).

Convém ainda referir que os valores aqui apresentados não são absolutos, mas sim estimativas, que variam de trabalho para trabalho. Nesta contabilização tem-se em linha de conta as proporções relativas dos diferentes tipos de rocha que são encontradas na crusta e a sua respectiva composição. Se se tiver em atenção que a crustal continental chega a atingir os 70km e, que o mais fundo que já fomos (através de furos), foi aos 12km, está tudo dito quanto ao que sabemos. 



Fontes:
http://www.sandatlas.org/composition-of-the-earths-crust/
http://pubs.usgs.gov/pp/0127/report.pdf
http://earthquake.usgs.gov/

O interior do planeta Terra

terça-feira, junho 02, 2015

Tendo permanecido um mistério para todas as pessoas durante muito tempo, a composição e estrutura do interior da Terra, foram desvendados com recurso a vários elementos. Entre os quais podem e devem ser destacados a análise de ondas sísmicas (a mais importante de todas as contribuições), as medidas dos campos gravitacional e magnético, as observações topográficas e barimétricas, as observações de rochas em afloramento e de rochas trazidas do interior pelo vulcanismo e ainda por experiências envolvendo pressões e temperaturas, como aquelas que são apanágio do interior da Terra. Foi necessária uma grande contribuição para o entendimento do interior do nosso planeta!

A estrutura interna da Terra encontra-se dividida em camadas, como que de uma cebola se tratasse. Aqui, podem ocorrer duas divisões essenciais: uma em relação às propriedades reológicas (movimento de fluidos) e outra a ver com as propriedades químicas. 

Na divisão por propriedades mecânicas observa-se (da superfície para o interior): crusta - manto superior - manto inferior - núcleo interno - núcleo externo

Figura 1: Divisão do interior da Terra segundo as propriedades mecânicas
  • Crusta - Camada sólida, maioritariamente composta por silicatos
  • Manto externo e interno - Camada predominantemente sólida (com cerca de 1% de fundido), muito viscosa
  • Núcleo externo - Camada líquida
  • Núcleo interno - Camada sólida

Na divisão através da química temos (da superfície para o interior): litosfera - astenosfera - mesosfera - núcleo externo - núcleo interno

Figura 2: Divisão do interior da Terra segundo as propriedades químicas
  • Litosfera - Camada superior, rígida, da qual fazem parte a crusta e a parte superior do manto superior. É nesta camada que se encontram as placas tectónicas
  • Astenosfera - Camada dúctil e deformável, do manto superior, sobre a qual a litosfera "dança"
  • Mesosfera - Camada que compreende a restante parte do manto (superior e inferior)
  • Núcleo externo - Camada composta por ligas ferro e níquel
  • Núcleo interno - Camada composta por ligas de ferro e níquel, cuja temperatura é semelhante à observada na superfície do sol (~5400ºC)

Mas o nosso maravilhoso planeta ainda nos tem muito para ensinar. Afinal não é todos os dias que se encontra um sábio com 4.567 milhões de anos com mais e mais histórias para contar.



Fontes:
http://pubs.usgs.gov/gip/interior/
www.iupui.edu
https://cimss.ssec.wisc.edu/sage/geology/lesson1/concepts.html

O que são pedras parideiras?

segunda-feira, maio 18, 2015

E aquelas pedras que nascem de outras pedras, que consequentemente se chamam pedras parideiras? Sim, isto acontece e elas existem. No entanto, existe uma explicação científica para tal acontecimento. Não pensem que as pedras nascem umas das outras.

O fenómeno das pedras parideiras é extremamente raro: tanto que apenas em dois locais se encontram documentadas, na aldeia de Castanheira na Serra da Freita, em Arouca, e num local de São Petersburgo, na Rússia. Sendo resultado de um fenómeno de tal raridade, estas pedras são muito cobiçadas, e, como é óbvio, a sua recolha para uso pessoal encontra-se proibida. A ocorrência desta manifestação, envolve a conjugação de uma série de factores como os de ordem geológica, geográfica e climatérica.

Neste processo, uma "pedra" brota de uma rocha-mãe (daí o uso da palavra parideira), normalmente um bloco nodular de origem granítica, que tem cor clara (rocha leucocrata). Os nódulos, que atingem entre 1 e 12cm de diâmetro, apresentam a forma de disco biconvexo. Apesar de terem a mesma composição que o granito (a sua rocha mãe), a organização mineralógica é diferente no núcleo e na borda: o primeiro tem quartzo e feldspato potássico e o segundo, biotite, pelo que estes nódulos se observam com cor negra característica da biotite.

Figura: Pedras parideiras e os seus nódulos.
Os nódulos destas pedras são expelidos como consequência dos fenómenos de termoclastia e crioclastia (processos de erosão), intimamente associados à variação da temperatura e à presença de água, pelo que estes são os principais agentes envolvidos na ocorrência deste fenómeno. Ao sairem da rocha-mãe, os nódulos deixam nesta, uma camada externa em baixo relevo, espalhando-se à sua volta.

As pedras parideiras sempre foram associadas a fenómenos de fertilidade, pelas gentes da região de Arouca. Algumas pessoas ainda cumprem a tradição de dormir com uma pedra parideira debaixo da almofada, por acreditarem que aumenta a fertilidade.

Diz, quem já viu o resultado deste fenómeno ao vivo (eu), que vale bem a pena ser visto! Se tiverem a oportunidade, não a percam! 


Fontes:
http://www.cm-arouca.pt/portal/index.phpItemid=260&id=220&option=com_content&task=view
http://www.geoparquearouca.com/?p=geoparque&sp=osgeossitios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_parideira

Geoparques - onde a geologia é rainha

domingo, maio 03, 2015

O que é um geoparque? Tal como o nome indica, um geoparque é... essencialmente um parque geológico. Um conjunto de locais de uma determinada região que tenham um interesse geológico significativo, mesmo a nível internacional. Mas também com outras qualidades. A designação oficial, com origem na UNESCO, define um geoparque como "um território de limites bem definidos com uma área suficientemente grande para servir de apoio ao desenvolvimento sócio-económico local".

Não é qualquer sítio que se possa gabar de poder ter um geoparque: a condição cine qua non é que existam vários locais geológicos com elevada importância científica, com zonas de grandiosa raridade e beleza e que representem uma determinada região e a sua respectiva história geológica (contando com processos e eventos geológicos), que recorde-se, chegam a ter milhões e milhões de anos! Para além do óbvio espólio geológico que um geoparque deverá ter, ele pode também conter importantes testemunhos de outras áreas como a arqueologia, ecologia, história e própria cultura de uma região, que acabam por se interligar.

Um dos principais objectivos dos geoparques é alertar a sociedade para o planeta geologicamente vivo que temos. Tal inclui vulcões, sismos e tsunamis, o que leva os geoparques a serem importantes veículos de informação para as populações. Outro dos objectivos, passa, claro, por ensinar as pessoas sobre o passado geológico da Terra, a subida e descida do mar, o gelo e degelo, a extinção de espécies, grandes eventos metamórficos e magmáticos, por exemplo.

Em Portugal existem quatro importantes geoparques, que fazem parte da Rede Europeia de Geoparques: o geoparque Arouca, o geoparque Naturtejo, o geoparque Açores e o geoparque Terras de Cavaleiros.

Figura 1: Rede europeia de Geoparques
- O geoparque Arouca, em sua grande parte no concelho de Arouca, Aveiro, contém 41 geossítios de interesse. Entre os quais contam-se os fósseis de trilobites (que chegam a atingir 90cm!) e as chamadas pedras-parideiras.

- O geoparque Naturtejo, que ocupa área no centro de Portugal, perto da fronteira espanhola, tem como força as componentes históricas e culturais e as suas paisagens quartzíticas.

- O geoparque Açores, que se estende a todas as suas 9 ilhas, tem nas caldeiras dos vulcões da ilha de S. Miguel (Fogo, Furnas, Sete Cidades), no vulcão dos Capelinhos no Faial e nas furnas de enxofre da Terceira, alguma da sua intensa beleza geológica.


- O geopark Terras de Cavaleiros, situado no concelho de Macedo de Cavaleiros, junta geologia, ecologia, o património histórico-cultural e a arte de bem receber num só local.

Como podem imaginar, os geoparques são óptimos locais para se aprender sobre geologia, ambiente e sustentabilidade, entre muitas outras coisas! 



Fontes:
http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/earth-sciences/global-geoparks/some-questions-about-geoparks/what-is-a-global-geopark/
http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/earth-sciences/global-geoparks/members/portugal/naturtejo-geopark/
http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/earth-sciences/global-geoparks/members/portugal/arouca-geopark/

Considerações sobre a experiência 6

terça-feira, abril 21, 2015

A Experiência 6 - Decaimento de moedas, que data da semana passada, remete para os mecanismos de decaimento que alguns átomos sofrem. Neste processo, denominado decaimento radioactivo, o núcleo de um átomo instável perde energia ao emitir radiação. Um material que emita este tipo de radiação - que se pode dar, essencialmente, por emissões de partículas alfa, partículas beta e raios gama - é considerado radioactivo.

Na experiência propriamente dita, quando se retiram as moedas para as suas pilhas, para fora do "jogo", é como se os núcleos radioactivos dos átomos estivessem a decair. De cada vez que se lança uma moeda, esta tem sempre a mesma probabilidade de ser retirada - 50%. Assim, depois do primeiro lançamento, cerca de metade (1/2) das moedas ficará de fora. Após o segundo lançamento ficarão cerca de um quarto (1/4) das moedas. Depois do terceiro, um oitavo (1/8). E por aí adiante. Semelhante processo acontece com os átomos radioactivos com o passar do tempo.

O padrão a partir do qual se repete a diminuição dos átomos através de uma fracção fixa (sempre 1/2) é denominada decaimento exponencial. Outro dos conceitos relacionados com o decaimento é o tempo de meia-vida: corresponde ao tempo necessário para que metade das moedas (ou átomos, na realidade) sejam removidos.
Figura: Gráfico representativo do decaimento exponencial que sofrem os átomos radioactivos.

Diferentes átomos, têm decaimentos, e consequentemente tempos de meia-vida diferentes. E através da análise destes parâmetros é possível fazer datações exactas, que são usadas para se saber as idades de rochas, minerais ou mesmo fósseis.

Classificação de minerais - parte 2

sexta-feira, abril 17, 2015

Continuando com  a classificação de minerais que vem da semana passada, temos  o resto das classes nas quais os minerais se encontram definidos. São elas:

Halogenetos: Estes minerais são originados quando um metal se liga a um dos quatro elementos do grupo dos halogenetos: Flúor (F), Cloro (Cl), Iodo (I), Bromo (Br). Muitos deles dissolvem-se em água: veja-se a halite, vulgo sal de cozinha. Esta propriedade faz com que ocorram em condições especiais, normalmente através da evaporação da água em que se encontram dissolvidos.

Exemplos: Halite (NaCl), silvite (KCl), fluorite (CaF2), bararite [(NH4)2SiF6] , atacamite [Cu2Cl(OH)3]


Carbonatos: Provêm da combinação de carbono, oxigénio e de um metal ou semi-metal. Estes minerais são macios e facilmente dissolvidos por qualquer ácido.

Exemplos: Calcite (CaCO3), aragonite (CaCO3), malaquite [Cu2(CO3)(OH)2], azurite [Cu3(CO3)2(OH)2], Rodocrosite (MnCO3)


Fosfatos: Os minerais desta classe caracterizam-se por possuírem o grupo aniónico PO43-. Nesta classe são também considerados os arsenatos e os vanadatos, nos quais, no grupo aniónico base, o fósforo é substituído por arsénio (As) e vanádio (V), respectivamente. Os iões de flúor (F), cloro (Cl) e hidróxido (OH) podem também entrar na estrutura destes minerais.

Exemplos: Apatite [Ca5(PO4)3(OH,F,Cl)], turquesa [CuAl6(PO4)4(OH)8•4(H2O)], monazite [(Ce,La,Y,Th)PO4], autunite [Ca(UO2)2(PO4)2·10-12H2O], vanadinite [Pb5(VO4)3C]


Mineralóides: Nesta classe, que não faz parte das oito classes do sistema de classificação de minerais de Dana, entram os renegados. Por não serem minerais. Derivam de compostos orgânicos ou não têm estrutura cristalina definida, logo, não são minerais e entram nesta categoria.

Exemplos: Âmbar, Opala 


Fontes:
http://www.rocksandminerals4u.com/mineral_classification.html
http://webmineral.com/danaclass.shtml#.VTFFcZOTTIU
http://webmineral.com/help/DanaClass.shtml#.VTFFc5OTTIU

Experiência 6 - Decaimento de moedas

segunda-feira, abril 13, 2015

Esta experiência pretende demonstrar alguns conceitos usados pelos geólogos e geoquímicos nas datações de rochas, minerais e eventos geológicos como cristalização e metamorfismo. Alguns desses importantes conceitos são o decaimento radioactivo e o tempo de meia vida que caracterizam átomos e elementos químicos. 

Material: 
  • 100 moedas e uma caixa (é bom para aqueles que fazem colecção de moedas pequenas, já ficam com o trabalho meio feito)
Procedimento:

1 - Atira as 100 moedas para cima de uma superfície (por exemplo, mesa ou chão).
2 - Retira as moedas que tenham ficado com o número virado para cima (ou com a coroa, podes escolher).
3 - Coloca as moedas que saíram, todas empilhadas numa coluna, dentro da caixa.
4 - Recolhe as restantes moedas e atira-as de novo.
5 - Novamente, retira as moedas que tenham ficado com a cara (ou coroa!) virada para cima e faz uma nova pilha, colocando-a ao lado da primeira coluna.
6 - Repete este processo até todas as moedas estarem de fora, nas respectivas pilhas.

Isto parece um qualquer jogo de probabilidades. Mas não é. 

Para a semana conto-te tudo!


Fonte: E. Richard Churchill, Louis V. Loeschnig, Muriel Mandell, and Frances Zweifel: 365 Simple Science Experiments with Everyday Materials (1997)

Classificação de minerais - parte 1

quarta-feira, abril 08, 2015

Com tanto mineral que para aí anda (são mais de 4000 espécies diferentes), é necessário que haja um sistema de classificação para que se possa arrumar de forma definida os minerais que ocorrem na natureza. Assim, foram propostos e usados muitos sistemas organizacionais, porém, o mais comum, utilizado hoje em dia, é o sistema de Dana (proposto por James Dana em 1848) e que agrupa os minerais com base na sua composição química (relembrem que os minerais são constituídos por elementos químicos, na forma de átomos e moléculas). Cada grupo tem, normalmente um grupo aniónico que será comum a todos os seus membros.

O sistema de Dana encontra-se dividido em oito classes. Essas classes são:

Elementos nativos: Estes são os de pura raça, os que não se misturam com mais nenhum elemento. Muitos minerais são resultado de compostos químicos, da interacção entre vários elementos. Estes não; são constituídos apenas por átomos de um determinado elemento. Nesta categoria entram maioritariamente metais, mas também semi-metais e não metais.

Exemplos: Ouro (Au), prata (Ag), níquel (Ni), antimónio (Sb), diamante (C)


Silicatos: Este grupo tem a maior fatia de minerais na Terra. São composto por silício e oxigénio, na forma do anião SiO44-, sendo estes elementos os dois mais comuns na crusta terrestre. Este grupo encontra-se subdividido com base na forma como se organizam os tetraedros de sílica (o tal SiO44-) nos silicatos. Num próximo texto apresentarei esta sub-divisão.

Exemplos: Quartzo (SiO2), moscovite [KAl2(Si3Al)O10(OH,F)2], olivina [(Mg,Fe)2SiO4], zircão (ZrSiO4), topázio [Al2(F,OH)2SiO4]


Óxidos e hidróxidos: Os minerais deste grupo têm na sua estrutura combinações de metais com oxigénio (óxidos) ou com oxigénio/hidrogénio (hidróxidos) e são a partir destes que se extrai grande parte dos metais usados pelo Homem.

Exemplos: Hematite (Fe2O3), cromite (FeCr2O4), rutilo (TiO2), cassiterite (SnO2), cuprite (CuO2)


Sulfuretos: Neste grupo, os metais encontram-se ligados com átomos de enxofre. Muitos metais são extraídos de elementos deste grupo. Estes minerais tendem a ser densos, frágeis e com brilho metálico. Dentro deste grupo também se incluem os sulfossais (enxofre ligado a semi-metais, como o arsénio e o bismuto), os telúrideos e os arsenetos (onde o telúrio e o arsénio substituem o enxofre.

Exemplos: Cinábrio (HgS), galena (PbS), esfalerite (ZnS), tetrahedrite (Cu12Sb4S13), arsenopirite (FeAsS)


Sulfatos: Um ou mais metais combinam-se com átomos de enxofre e de oxigénio, onde estes últimos formam o grupo aniónico SO42−. Dependendo da presença de água, estes minerais podem ser hidratados ou não. Estes minerais são macios e têm uma cor pálida e são, por vezes, translúcidos ou mesmo transparentes.

Exemplos: Gesso (CaSO4•2H2O)), barite (BaSO4), anidrite (CaSO4).

Na próxima sessão vem o resto da família!

Considerações sobre a experiência 5

segunda-feira, abril 06, 2015

A Experiência 5 - Reacções químicas nas rochas trata a interacção (ou a falta dela) que algumas rochas e minerais têm quando em contacto com um ácido.

As rochas mais fáceis de identificar por este processo de interacção química são o calcário e/ou mármore, nas quais se poderá observar uma clara efervescência (na forma de pequenas bolhas) na superfície destas rochas. Tal acontece, pois estas rochas têm carbonato de cálcio (CaCO3), que é uma substância alcalina, e que, quando em contacto com o ácido do limão ou vinagre (ou qualquer outro ácido), liberta dióxido de carbono através de uma reacção química. 

Figura 1: Reacção química do ácido com carbonato de cálcio, que resulta na libertação de CO2 e destruição do carbonato.

A reacção química que se dá pode ser representada por:  

CaCO3 (carbonato de cálcio - sólido) + 2H+ (iões de hidrogénio - líquido) -> Ca2+ (iões de cálcio - aquoso) + H2O (água - líquido) + CO2 (dióxido de carbono - gasoso)

O calcário é formado por carbonato de cálcio (calcite; aragonite e vaterite são os outros carbonatos de cálcio) e o mármore é calcário metamorfisado e, portanto, têm a mesma composição química, pelo que naturalmente reagem da mesma forma perante o ácido. Outras rochas que não tenham carbonato de cálcio ou outros minerais que possam reagir com um ácido, não apresentarão qualquer mudança ou reacção na sua superfície.

Um dos problemas mais comuns nos dias de hoje são as chamadas chuvas ácidas, que tal como os ácidos usados nesta experiência, podem levar à dissolução de construções de calcário/mármore, como vai acontecendo com alguns monumentos famosos (por exemplo a Acrópole de Atenas e o Taj Mahal na Índia). No caso das chuvas, o ácido pode ser originário de várias fontes, entre as quais se destacam os óxidos de enxofre e nitrogénio (sim, dizer azoto já não é cientificamente correcto), que são libertados pela queima dos combustíveis fósseis e outras actividades humanas. Das reacções que ocorrem resultam os ácidos nítrico e sulfúrico e ainda o ácido carbónico, todos eles reagindo com o carbonato de cálcio e contribuindo para a destruição do património mundial.

Figura 2: Marcas na estátua de Buda, derivadas das chuvas ácidas, na província de Sichuan, China.

Semelhante processo tem vindo cada vez mais a afectar as conchas e esqueletos de animais marinhos, que apresentem carbonato de cálcio na sua composição.



Fontes:
http://darkwing.uoregon.edu/~millerm/4935-46.html
http://e360.yale.edu/feature/china_takes_first_steps_in_the_fight_against_acid_rain/2333/