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O saber não ocupa lugar. A ignorância também não, mas dá má fama.

O interior do planeta Terra

terça-feira, junho 02, 2015

Tendo permanecido um mistério para todas as pessoas durante muito tempo, a composição e estrutura do interior da Terra, foram desvendados com recurso a vários elementos. Entre os quais podem e devem ser destacados a análise de ondas sísmicas (a mais importante de todas as contribuições), as medidas dos campos gravitacional e magnético, as observações topográficas e barimétricas, as observações de rochas em afloramento e de rochas trazidas do interior pelo vulcanismo e ainda por experiências envolvendo pressões e temperaturas, como aquelas que são apanágio do interior da Terra. Foi necessária uma grande contribuição para o entendimento do interior do nosso planeta!

A estrutura interna da Terra encontra-se dividida em camadas, como que de uma cebola se tratasse. Aqui, podem ocorrer duas divisões essenciais: uma em relação às propriedades reológicas (movimento de fluidos) e outra a ver com as propriedades químicas. 

Na divisão por propriedades mecânicas observa-se (da superfície para o interior): crusta - manto superior - manto inferior - núcleo interno - núcleo externo

Figura 1: Divisão do interior da Terra segundo as propriedades mecânicas
  • Crusta - Camada sólida, maioritariamente composta por silicatos
  • Manto externo e interno - Camada predominantemente sólida (com cerca de 1% de fundido), muito viscosa
  • Núcleo externo - Camada líquida
  • Núcleo interno - Camada sólida

Na divisão através da química temos (da superfície para o interior): litosfera - astenosfera - mesosfera - núcleo externo - núcleo interno

Figura 2: Divisão do interior da Terra segundo as propriedades químicas
  • Litosfera - Camada superior, rígida, da qual fazem parte a crusta e a parte superior do manto superior. É nesta camada que se encontram as placas tectónicas
  • Astenosfera - Camada dúctil e deformável, do manto superior, sobre a qual a litosfera "dança"
  • Mesosfera - Camada que compreende a restante parte do manto (superior e inferior)
  • Núcleo externo - Camada composta por ligas ferro e níquel
  • Núcleo interno - Camada composta por ligas de ferro e níquel, cuja temperatura é semelhante à observada na superfície do sol (~5400ºC)

Mas o nosso maravilhoso planeta ainda nos tem muito para ensinar. Afinal não é todos os dias que se encontra um sábio com 4.567 milhões de anos com mais e mais histórias para contar.



Fontes:
http://pubs.usgs.gov/gip/interior/
www.iupui.edu
https://cimss.ssec.wisc.edu/sage/geology/lesson1/concepts.html

O que são pedras parideiras?

segunda-feira, maio 18, 2015

E aquelas pedras que nascem de outras pedras, que consequentemente se chamam pedras parideiras? Sim, isto acontece e elas existem. No entanto, existe uma explicação científica para tal acontecimento. Não pensem que as pedras nascem umas das outras.

O fenómeno das pedras parideiras é extremamente raro: tanto que apenas em dois locais se encontram documentadas, na aldeia de Castanheira na Serra da Freita, em Arouca, e num local de São Petersburgo, na Rússia. Sendo resultado de um fenómeno de tal raridade, estas pedras são muito cobiçadas, e, como é óbvio, a sua recolha para uso pessoal encontra-se proibida. A ocorrência desta manifestação, envolve a conjugação de uma série de factores como os de ordem geológica, geográfica e climatérica.

Neste processo, uma "pedra" brota de uma rocha-mãe (daí o uso da palavra parideira), normalmente um bloco nodular de origem granítica, que tem cor clara (rocha leucocrata). Os nódulos, que atingem entre 1 e 12cm de diâmetro, apresentam a forma de disco biconvexo. Apesar de terem a mesma composição que o granito (a sua rocha mãe), a organização mineralógica é diferente no núcleo e na borda: o primeiro tem quartzo e feldspato potássico e o segundo, biotite, pelo que estes nódulos se observam com cor negra característica da biotite.

Figura: Pedras parideiras e os seus nódulos.
Os nódulos destas pedras são expelidos como consequência dos fenómenos de termoclastia e crioclastia (processos de erosão), intimamente associados à variação da temperatura e à presença de água, pelo que estes são os principais agentes envolvidos na ocorrência deste fenómeno. Ao sairem da rocha-mãe, os nódulos deixam nesta, uma camada externa em baixo relevo, espalhando-se à sua volta.

As pedras parideiras sempre foram associadas a fenómenos de fertilidade, pelas gentes da região de Arouca. Algumas pessoas ainda cumprem a tradição de dormir com uma pedra parideira debaixo da almofada, por acreditarem que aumenta a fertilidade.

Diz, quem já viu o resultado deste fenómeno ao vivo (eu), que vale bem a pena ser visto! Se tiverem a oportunidade, não a percam! 


Fontes:
http://www.cm-arouca.pt/portal/index.phpItemid=260&id=220&option=com_content&task=view
http://www.geoparquearouca.com/?p=geoparque&sp=osgeossitios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_parideira

Geoparques - onde a geologia é rainha

domingo, maio 03, 2015

O que é um geoparque? Tal como o nome indica, um geoparque é... essencialmente um parque geológico. Um conjunto de locais de uma determinada região que tenham um interesse geológico significativo, mesmo a nível internacional. Mas também com outras qualidades. A designação oficial, com origem na UNESCO, define um geoparque como "um território de limites bem definidos com uma área suficientemente grande para servir de apoio ao desenvolvimento sócio-económico local".

Não é qualquer sítio que se possa gabar de poder ter um geoparque: a condição cine qua non é que existam vários locais geológicos com elevada importância científica, com zonas de grandiosa raridade e beleza e que representem uma determinada região e a sua respectiva história geológica (contando com processos e eventos geológicos), que recorde-se, chegam a ter milhões e milhões de anos! Para além do óbvio espólio geológico que um geoparque deverá ter, ele pode também conter importantes testemunhos de outras áreas como a arqueologia, ecologia, história e própria cultura de uma região, que acabam por se interligar.

Um dos principais objectivos dos geoparques é alertar a sociedade para o planeta geologicamente vivo que temos. Tal inclui vulcões, sismos e tsunamis, o que leva os geoparques a serem importantes veículos de informação para as populações. Outro dos objectivos, passa, claro, por ensinar as pessoas sobre o passado geológico da Terra, a subida e descida do mar, o gelo e degelo, a extinção de espécies, grandes eventos metamórficos e magmáticos, por exemplo.

Em Portugal existem quatro importantes geoparques, que fazem parte da Rede Europeia de Geoparques: o geoparque Arouca, o geoparque Naturtejo, o geoparque Açores e o geoparque Terras de Cavaleiros.

Figura 1: Rede europeia de Geoparques
- O geoparque Arouca, em sua grande parte no concelho de Arouca, Aveiro, contém 41 geossítios de interesse. Entre os quais contam-se os fósseis de trilobites (que chegam a atingir 90cm!) e as chamadas pedras-parideiras.

- O geoparque Naturtejo, que ocupa área no centro de Portugal, perto da fronteira espanhola, tem como força as componentes históricas e culturais e as suas paisagens quartzíticas.

- O geoparque Açores, que se estende a todas as suas 9 ilhas, tem nas caldeiras dos vulcões da ilha de S. Miguel (Fogo, Furnas, Sete Cidades), no vulcão dos Capelinhos no Faial e nas furnas de enxofre da Terceira, alguma da sua intensa beleza geológica.


- O geopark Terras de Cavaleiros, situado no concelho de Macedo de Cavaleiros, junta geologia, ecologia, o património histórico-cultural e a arte de bem receber num só local.

Como podem imaginar, os geoparques são óptimos locais para se aprender sobre geologia, ambiente e sustentabilidade, entre muitas outras coisas! 



Fontes:
http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/earth-sciences/global-geoparks/some-questions-about-geoparks/what-is-a-global-geopark/
http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/earth-sciences/global-geoparks/members/portugal/naturtejo-geopark/
http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/earth-sciences/global-geoparks/members/portugal/arouca-geopark/